A substituição da expressão "violação literal de disposição de lei" pela fórmula "violação manifesta de norma jurídica", promovida pelo CPC de 2015, desencadeou uma das mais relevantes controvérsias do direito processual brasileiro contemporâneo. Teria o legislador ampliado o campo de incidência da ação rescisória, autorizando a desconstituição da coisa julgada sempre que identificada qualquer espécie de incompatibilidade normativa? Ou persistem limites estruturais que impedem a conversão desse instrumento excepcional em mecanismo amplo de revisão judicial? Partindo dessa indagação, a presente obra examina a natureza, a função e os fundamentos dogmáticos e políticos da ação rescisória, demonstrando que a alteração terminológica não legitima um alargamento indiscriminado da rescindibilidade. A ação rescisória não se destina à correção genérica de decisões reputadas injustas, nem pode operar como sucedâneo recursal tardio. Sua função é mais restrita e mais precisa, trata-se de técnica estatal de controle qualificado da integridade das normas produzidas pelo próprio Estado, cuja utilização exige pressupostos rigorosos e cumulativos. Ao enfrentar temas como precedentes obrigatórios, princípios jurídicos, convenções coletivas, costumes e conflitos entre coisas julgadas, o autor sustenta que apenas a violação de norma estatal escrita, dotada de obrigatoriedade e exteriorizada em texto normativo, pode, em determinadas circunstâncias, justificar a ruptura da estabilidade decisória. A obra articula teoria da norma, coisa julgada e segurança jurídica, evidenciando que a ampliação irrefletida das hipóteses de rescisão compromete a previsibilidade que sustenta a vida jurídica e econômica. Com rigor conceitual e análi- se crítica da jurisprudência, o livro oferece contribuição consistente ao debate sobre os limites do poder jurisdicional e sobre o espaço legítimo da ação rescisória no direito brasileiro contemporâneo.
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Peso: 0,26 kg Dimensões: 17 × 24 × 5 cm Ano: 2026 Edição: 1ª Número de páginas: 236 |
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Doutorando em Direito pela Universidade de Valladolid, Espanha, na modalidade de doutorado internacional, com instância de intersecção acadêmica na USP, onde desenvolve investigação aprofundada sobre o autoritarismo judicial, com ênfase em suas estruturas, racionalidades e modos de manifestação. Mestre em Direito. Especialista em Processo Civil pela PUC SP e em Direito do Trabalho pela USP. Integrou o Grupo de Pesquisa Trabalho e Capital, GPTC, da USP, presidido pelo Professor Dr. Jorge Luiz Souto Maior, e o Grupo de Estudos Avançados em Processo, GEAP, também da USP, coordenado pelo Professor Dr. Flávio Luiz Yarshell. Advogado há 20 anos, exerce a docência na Escola da ABRAT. |
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APRESENTAÇÃO PREFÁCIO
2.1. A Coisa Julgada e seus fundamentos 2.3. A ação rescisória e sua dimensão política 2.4. As funções da ação rescisória 2.5. A ação rescisória, natureza jurídica e conceito 2.6. O objeto jurídico da ação rescisória 2.6.2. A querela nullitatis em relação à ação rescisória
3.1. A introdução da ação rescisória no direito brasileiro e sua evolução 3.2. A ação rescisória no direito comparado 3.3. A ação rescisória e sua disciplina no contexto da atualidade brasileira 3.4. Direito intertemporal, causas de rescindibilidade e processamento da ação rescisória 3.5. Prazo para ajuizamento da ação rescisória
4.1. Tendência ampliativa das hipóteses de cabimento da ação rescisória 4.2. A norma jurídica compreendida na atualidade da ciência processual 4.3. A ação rescisória calcada na violação de súmula de jurisprudência uniforme 4.4. A ação rescisória calcada na violação de tese jurídica firmada em julgamento de casos repetitivos 4.5. A ação rescisória calcada na violação de princípios jurídicos 4.6. A ação rescisória calcada na violação de convenções coletivas de trabalho 4.7. A ação rescisória calcada na violação de costumes jurídicos
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